José de Sainz-Trueva lançou livro de poesia

10-02-2014 13:13

A poesia ensina "a reflectir e a caminhar de uma forma mais segura", diz José de Sainz-Trueva, que no passado dia 30 de Janeiro

lançou no Funchal a obra 'O Lento Arder das Coisas', editada pela Âncora Editora, que reúne uma selecção de poemas publicados entre 1967 e 2010.

"Penso que a poesia é importante para todos porque ela pode precisamente ensinar-nos a reflectir e a caminhar de uma forma mais segura, mais objectiva, eu acho que a poesia vai sempre ao encontro de quem a merece", disse hoje José de Sainz-Trueva, director do Museu de Arte Contemporânea do Funchal e pesquisador na área da história, heráldica e património insular.

Figura incontornável do meio cultural madeirense, Sainz-Trueva lançou hoje o livro de poesia 'O Lento Arder das Coisas', no auditório da Reitoria do Colégio dos Jesuítas. A obra, editada pela Âncora Editora, reúne uma selecção de poemas publicados, entre 1967 e 2010, na imprensa regional e nacional, da autoria de Sainz-Trueva, que desta forma se estreia em termos literários.

"Não creio que na Madeira tenhamos muitos leitores de poesia, não sei mesmo se na Madeira haverá muitos leitores. Tenho as minhas dúvidas, não sei se haverá um registo científico, académico sobre isso. E isso faz com que nós cometamos muitas injustiças, não só aos grandes poetas que nasceram na Madeira – eu não vou cair em lugares-comuns falando no Edmundo Bettencourt, no Herberto Helder, no Cabral do Nascimento, no José Agostinho Baptista – mas sobretudo também aos muitos poetas que não sendo madeirenses por nascimento, são madeirenses por afectos e por relacionamento", disse o autor. "E foram muitos", acrescentou. "Posso recordar, por exemplo, Carlos de Oliveira, casado com uma madeirense que está viva e que guarda o espólio precioso do poeta". Lembrou também o nome de Carlos de Oliveira, autor de ‘Uma Abelha na Chuva’, ‘Finisterra’, entre outros. Recordou ainda José Miguel Fernando Jorge, autor de ‘Funchal em Fundo’, escolhido numa lista seleccionada por António Lobo Antunes como um dos poetas de referência absoluta em Portugal.

Sobre este seu primeiro livro diz que é composto por "textos de várias épocas e circunstâncias". É o resultado da "experiência de alguém que foi caminhando ao longo do tempo e que foi sabendo observar porque é preciso saber olhar.

E fez uma revelação: “Eu nunca fiz nada para que este livro fosse publicado. E a publicação deste livro deve-se sobretudo a muitos amigos: à Maria Aurora Carvalho Homem, ao Thierry Proença dos Santos, à Margarida Falcão, ao José Eduardo Franco, ao professor Ernesto Rodrigues, quer dizer, a uma série de pessoas que foram, digamos, se aproximando do livro, portanto, é um livro de amigos, quase de mão colectiva, o que me agrada sobremaneira”.

De resto, a sessão de apresentação realizada ao início desta noite contou com inúmeras figuras da sociedade madeirense. A apresentação do livro esteve a cargo do professor doutor Ernesto Rodrigues, docente da Universidade de Lisboa e membro do CLEPUL.

30 de Janeiro
Diário de Notícias
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